Uma superfície de gelo ancorada no riso ❁

Até um tempo atrás eu achava (como sempre cheia de achismo) que o mundo estava ficando mais aberto a novas maneiras de se viver, aceitando mais as diferenças, ou melhor, o modo como os outros levam a vida e cooperando para que isso acontecesse de uma maneira agradável.

Porém, há quase um mês me rendi novamente às redes sociais, e tenho visto que não é bem assim, que as pessoas ainda estão extremamente ligadas aos costumes e a falta de humanidade (sim, a palavra é essa) dos séculos passados.

Nós vivemos num país que não é tão laico quanto dizem (é tanto que todos os nossos feriados são referentes à religião predominante), sendo assim nós fomos ensinados desde pequenos o certo e o errado dessa visão. Por conta disso e do medo e da dificuldade que o ser humano tem de pensar, vamos vivendo e repetindo o discurso (e eu me coloco nessa categoria, por que sei que é muito mais fácil você repetir um dogma do que parar pra pensar numa determinada situação e tirar suas próprias conclusões).

Tenho andado perplexa em como os julgamentos e a falta de amor é presente no dia a dia. Só o que vejo são pessoas compartilhando a homofobia (como se isso fosse bonito), compartilhando a falta de companheirismo, compartilhando o pré-conceito, compartilhando a falta de compaixão e de caridade; As pessoas se recusam a ajudar o próximo e a se colocar contra a crueldade pela simples comodidade, pelo medo de se comprometer, pelo medo de ser julgado pelo tão “temido sistema”. Tenho pra mim que se todos se lembrassem de que vieram do pó e voltarão a ser pó todo mundo seria mais generoso e mais solidário.

Se estiverem amando o próximo, se não estiverem ameaçando seu bem estar, se não estiverem fazendo nada errado (e quando eu digo nada errado não é referente à moral e aos bons costumes), se não estiverem machucando ninguém, se não estiverem acabando com a vida de ninguém, que mal tem? A sua concepção de moral e de vida é tão sensível a ponto de uma cena de novela te atrapalhar? Por que levar isso tão a sério? Até que ponto a felicidade te incomoda tanto? Vamos parar de ser essa superfície de gelo, vamos parar de fingir que esta tudo bem.

Não entendo. Será que eu que tenho um pensamento errado? É errado querer distribuir amor? É errado querer ajudar o próximo? É errado aceitar o jeito de cada um? É errado querer viver em paz?

Por favor, se for errado, me avise, que arrumo minhas malas e vou de vez para o mundo das ninfas. Nunca achei que eu fosse daqui mesmo.

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“Às vezes eu pensava que a vida não tinha o menor sentido, mas logo depois não pensava mais, porque a gente nem sabia pensar e não dava tempo de ficar pensando no que a gente nem sabia fazer: pensar. Tenho horror de quando começo a pensar, é repugnante, graças ao Demo, dono do planeta, a muita pouca gente que pensa, ainda bem”.

– Hilda Hilst

PS: Lembrando que essa é minha opinião e opinião (ainda) não é crime.

PS²: Espero que vocês comecem a pensar. Pensem no que é bom e no que é ruim, até que ponto a vida alheia nos atrapalha a ponto de causarmos todo esse bafafá por conta da felicidade dos outros?

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